
No primeiro turno das eleições municipais de 2024, Porto Alegre se destacou ao registrar o maior índice de abstenção entre as capitais brasileiras, com 31,51%. Este percentual foi traduzido em 345.544 eleitores que optaram por não participar da votação, um número ligeiramente superior ao total de votos válidos recebidos pelo candidato líder da disputa à Prefeitura da Capital, Sebastião Melo, que contabilizou 345.420 votos.
Esse cenário revela que, a cada dez eleitores na cidade, três decidiram não votar. Para efeito de comparação, a média de abstenção em todo o Brasil foi de 21,71%, indicando que Porto Alegre se afastou significativamente desse padrão.
No segundo turno, a situação se agravou, com 381.965 eleitores se abstendo, resultando em 34,83% de abstenções. Esse índice supera o registrado na eleição de 2020, quando, em meio à pandemia, a abstenção foi de 32,76%.
Como mostrado em reportagem pelo Sul21, a crescente abstenção nas eleições é influenciada por fatores como estabilidade política, frustração social e dificuldades econômicas. Fabrício Pontin, professor da Universidade LaSalle, explica que, em cenários estáveis, os eleitores não percebem diferenças significativas entre candidatos, enquanto a frustração social resulta da insatisfação com a política tradicional e a falta de confiança nas instituições. Além disso, dificuldades econômicas, como custos de transporte, dificultam a participação.
Paulo Peres, da UFRGS, destaca que a abstenção tem aumentado desde 2008, refletindo um descontentamento com os partidos e as candidaturas. Ele observa que, entre 2016 e 2024, a abstenção subiu quase 10 pontos percentuais, e fatores como desastres naturais podem ter agravado essa situação.
Outro ponto relevante é a mudança na percepção do voto, que está se tornando, na prática, opcional. Segundo os especialistas, se as penalidades para a abstenção forem facilitadas, isso pode levar a uma consolidação de altos índices de abstenção, possivelmente entre 35% e 40%, dependendo da mobilização dos partidos e da relevância das eleições.