
Luciano Velleda e Luís Gomes
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), recebeu na manhã desta terça-feira (16), em seu gabinete no novo centro administrativo municipal, a reportagem do Sul21 para uma entrevista que durou cerca de 40 minutos. O resultado dessa conversa será publicado ao longo dos próximos dias. Mas, já nesta terça, vai ao ar o primeiro trecho da entrevista, em que o prefeito fala sobre sua participação nas eleições municipais, que ocorrem em outubro.
Apesar de tudo indicar que Melo será candidato à reeleição, ele próprio não confirma, dizendo que irá deixar para tomar uma decisão apenas a partir do mês de abril. “Eu vou decidir no mês de abril, porque, primeiro, nós estamos vivendo tantos desafios na cidade, de temporais, de falta d’água e de tantas coisas, que, se eu misturar a eleição com todos esses problemas, acho que perde a cidade com isso”, afirmou.
Contudo, pontua que já foram iniciadas as conversas com outros partidos, destacando que PL, PP e PRD — partido criado após a fusão dos antigos PTB e Patriota — já manifestaram publicamente apoio à continuidade do projeto da atual gestão. Atualmente, o governo Melo goza do apoio da ampla maioria dos partidos com cadeiras na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Dos 35 parlamentares, 20 vereadores, de 10 partidos — MDB, PP, Republicanos PP, PSD, União Brasil, Solidariedade, PSDB, PL, PRD e Cidadania –, formam a base permanente de apoio ao governo e outros cinco — Novo, PDT e PSB — se declaram independentes, mas com alto índice de voto favorável ao Executivo, o que tem garantido facilidade ao governo para aprovar seus projetos. A oposição é composta por apenas 10 vereadores do PT, PSOL e PCdoB.
“O que a gente tem acertado na política é para essa gestão. Tem três partidos que se manifestaram publicamente, dizendo: ‘olha, a gente quer estar junto nesse projeto’. Que é o PL, manifestou isso publicamente e pessoalmente para mim, o PP inclusive fez uma pré-convenção sobre isso e o antigo PTB, que agora se fundiu”, afirma o prefeito.
Confira o trecho da entrevista em que Melo fala sobre as eleições municipais.

Sul21 — Prefeito, estamos entrando no ano eleitoral e, ao que tudo indica, o senhor é candidato à reeleição. O senhor conseguiu montar uma ampla coalizão na Câmara de Vereadores. O senhor será o candidato dessa ampla coalizão? Alguns partidos que fazem parte da sua base terão candidato? Como enxerga a situação do seu campo político?
Melo: Acho que a primeira coalizão que nós fizemos é com o povo, vindo das urnas, com a Câmara de Vereadores e também com os partidos, o orçamento participativo, ou seja, com os instrumentos que a cidade tem. Eu vou decidir se vou ser candidato à reeleição no mês de abril.
Sul21 — O senhor tem dúvidas se vai ser candidato?
Melo: Eu vou decidir no mês de abril, porque, primeiro, nós estamos vivendo tantos desafios na cidade, de temporais, de falta d’água e de tantas coisas, que, se eu misturar a eleição com todos esses problemas, acho que perde a cidade com isso. As convenções são em julho. As eleições cada vez foram encurtando mais. Eu sou de uma época em que se discutia a eleição o ano todo. Agora, as eleições foram encurtando, até não sei se é o melhor caminho. Mas, então, eu vou decidir se vou ser candidato à reeleição no mês de abril. Agora, eu vou estar no palanque desse projeto, seja como candidato à reeleição, seja apoiando uma candidatura.
Quanto aos partidos, a nossa aliança se deu em dois momentos, no primeiro turno da eleição passada e, depois, numa composição de segundo turno e depois mesmo o PSDB, que faz parte agora da nossa aliança. O que a gente tem acertado na política é para essa gestão. Tem três partidos que se manifestaram publicamente, dizendo: ‘olha, a gente quer estar junto nesse projeto’. Que é o PL, manifestou isso publicamente e pessoalmente para mim, o PP inclusive fez uma pré-convenção sobre isso e o antigo PTB, que agora se fundiu. O próprio Podemos também, numa reunião que eu participei no final do ano, manifestou: ‘olha, estamos juntos nesse processo’. Agora, eu acho o tempo de uma aliança tem que respeitar muito o tempo dos teus parceiros. Por quê? Eu fui dirigente partidário, sempre trabalhei com ter candidatura, então eu acho que o normal dos partidos é buscar sempre ter candidatos, apresentar suas propostas. Então, tem que respeitar muito isso, uma aliança começa a dar certo quando você respeita o tempo do seu parceiro. O que nós temos nesse momento formalmente é isso. Agora, até por como as coisas são no Rio Grande do Sul, acho que a eleição municipal começa mesmo a partir de abril, aonde a maioria dos partidos vai começar a definir, e alguns ainda não vão definir, vão jogar isso para maio, junho, às vezes até no limite. Acho que abril vai ser bastante definidor do rumo da eleição de Porto Alegre.