
No final da tarde desta segunda-feira (9), milhares se reuniram em um ato em defesa da democracia em Porto Alegre. A manifestação iniciou na “Esquina Democrática”, no Centro Histórico da cidade, e seguiu em caminhada até o Largo Zumbi dos Palmares. Organizado pela Frente Brasil Popular, atos aconteceram em todo país como resposta às ações terroristas antidemocráticas de bolsonaristas contra o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, em Brasília, no domingo (8).
A manifestação foi marcada por cartazes e faixas que pediam para que não haja anistia a Bolsonaro e aos golpistas e terroristas que foram a Brasília. As palavras de ordem ecoadas pelos manifestantes foram “sem anistia”, “democracia sim, anistia não”, “sem anistia e sem perdão, queremos Bolsonaro na prisão” e a tradicional “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”, em alusão a uma suposta prevaricação das autoridades policiais durante os atos golpistas.

A responsabilização das pessoas que participaram também foi abordada pelos manifestantes. O vereador de Porto Alegre e deputado estadual eleito Leonel Radde (PT), que assumiu o protagonismo na identificação dos responsáveis pelos atos golpistas, estava presente. “No momento em que houve o atentado terrorista, a gente acionou as nossas redes sociais para que fosse um repositório de imagens de identificação de pessoas suspeitas, não podemos afirmar porque precisamos da confirmação das forças de segurança e do Judiciário público. Mas que nós pudéssemos, então, ter um banco de dados para levar até ao Ministério Público Federal, aqui da 4ª região, mas que vai também dialogar com o MPF da 1ª região, no Distrito Federal e com o grupo de inteligência da Polícia Civil do Rio Grande do Sul”, disse o parlamentar.
Ainda no domingo, o governador Eduardo Leite (PSDB) se manifestou na noite durante transmissão ao vivo, reforçando que as forças de segurança do Estado estão de “prontidão para agir de forma enérgica, firme e imediata diante de qualquer tipo de atentado contra nossa democracia”. Leite classificou os acontecimentos deste domingo como “atos antidemocráticos, de caráter golpista, que vandalizaram patrimônio público e atacaram a sede dos Três Poderes, atacaram as instituições que representam nossa democracia brasileira”.
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Há informações de ônibus que partiram do estado nos últimos dias em direção a Capital Federal para participar dos atos terroristas. O secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Sandro Caron, entrevista ao Sul21, afirma que já há a identificação de pessoas que participaram da organização e do apoio logístico no transporte rumo a Brasília. O secretário explica que o governo estadual tem atuado em conjunto com as autoridades da intervenção federal no Distrito Federal e órgãos de segurança pública para identificar gaúchos presos na Capital, de modo a relacioná-los com as investigações em curso no RS.
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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, concedeu na tarde desta segunda-feira (9) uma coletiva de imprensa para atualizar as informações sobre as investigações. Dino afirmou que já recebeu a colaboração de governadores de ao menos 10 estados, que se comprometeram a enviar reforços para a Força Nacional, o que representaria um efetivo extra de mais de 500 agentes. Ele diz que este contingente extra irá reforçar a segurança na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes, liberando a Polícia Federal, que está fazendo o policiamento no local nesta segunda, para retornar às suas funções.
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Por volta das 21h30, após uma reunião, o presidente Lula caminhou pela Praça dos Três Poderes acompanhado de diversos governadores de unidades da federação e ministros até a sede do STF, prédio que mais sofreu com a depredação. “Eu acho que essa praça é um símbolo de nosso sistema de governo. Nós estamos decepcionados, frustrados e com muita raiva do que aconteceu aqui”, disse. Flávio Dino definiu o ato simbólico como um atestado da união entre os governos estaduais e o federal.



















