
Desde o início da noite desta segunda-feira (9), circula entre bolsonaristas, nas redes sociais, a notícia de que uma idosa de 77 anos teria falecido dentro do ginásio da Academia da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde estão os extremistas detidos após os atos terroristas no domingo (8). Apesar da informação ter sido desmentida pela própria PF, ainda na madrugada da segunda-feira, mensagens continuaram a difundir a mentira. Uma evidência, além da clara explicação da polícia, é o fato da fotografia ser de um banco de imagens.
A Polícia Federal informa que é falsa a informação de que uma mulher idosa teria morrido na data de hoje (9/1) nas dependências da Academia Nacional de Polícia.
— Polícia Federal (@policiafederal) 10 de janeiro de 2023
A reportagem, por meio do software de monitoramento de redes sociais Trendsmap, obteve os números de postagens no Twitter. Desde por volta das 18h do dia 9, quando foi identificado o primeiro tweet comunicando a suposta morte, foram registradas 53.200 postagens.
🚨IDOSA PASSA MAL E MORRE NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DA PF.#LULAGENOCIDA
pic.twitter.com/QRQIHM6tzD— Só Observo (@SgtSinaBrasil) 9 de janeiro de 2023
Por volta das 20h ocorreu o pico de cerca de 1250 postagens a cada 10 minutos.
A maioria, como mostra o grafo abaixo, partiu de perfis bolsonaristas e/ou grupos de direita e extrema-direita.

Em grupos do aplicativo de mensagens Telegram, as publicações também continuaram, assim como no Twitter, chamando o ginásio da polícia de “campo de concentração” e alegando que não haviam condições de saúde e alimentação para as mais de 1.500 pessoas detidas. Vídeos compartilhados mostravam as pessoas no local, deitadas em colchonetes. Em um dos registros, um homem finge ter cortado os pulsos e está deitado no chão, imóvel. Outras pessoas, sem provas, diziam que haviam outras pessoas mortas.
A PF alega que os vídeos foram registrados antes dos celulares das pessoas serem apreendidos. Ainda, informou, em nota, que, por questões humanitárias, foram liberados 599 detidos, em geral idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e mães acompanhadas de crianças. “Os procedimentos estão sendo acompanhados, ininterruptamente, pela Ordem dos Advogados do Brasil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Saúde do DF, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Defensoria Pública da União. Todos estão recebendo alimentação regular (café da manhã, almoço, lanche e jantar), hidratação e atendimento médico quando necessário”, diz o comunicado.