
Milton Ribeiro
Num fim de tarde escuro e chuvoso, o Internacional de Porto Alegre apenas empatou com o Goiás, último colocado no Brasileiro de 2010. O resultado sem gols fez o Inter avançar uma posição, mas deixou um gosto de decepção pela oportunidade perdida de se aproximar das alquebradas equipes que ocupam a liderança. O colorado abandonou o campo sob vaias.
O que dizer de um jogo entre o flamante Campeão da América contra o último colocado do Campeonato Brasileiro, no estádio do primeiro, em que o melhor jogador em campo é o goleiro do recém campeão? Faltou apetite, vontade, tesão? Não. Faltou competência mesmo.
O Inter começou a oferecer pontos a seus adversários ao manter o esquema da moda, o 4-2-3-1, mas com uma linha de três de jogadores inteiramente inadequada para acompanhar o único atacante, mormente quando o adversário joga todo fechado como o Goiás. Faltou profundidade ao trio de jogadores de armação. D`Alessandro, Tinga e Giuliano não são suficientemente agudos nem para furar o geriátrico bloqueio goiano. Harlei, 38, Marcão, 35, Junior, 37, Romerito, 35 e Wellington Monteiro, 32, ficaram bocejando lá atrás enquanto os jogadores do Inter trocavam passes, aguardando algum presente dos céus. Que não veio.
Para piorar, Nei e Wilson Mathias marcaram muito bem a si mesmos, enquanto Kleber e Guiñazú foram marcados pelo Goiás, deixando Leandro Damião isolado. Sentindo que seus homens de armação estavam tão ativos quanto aposentados na praia, Celso Roth tirou Giuliano para colocar o príncipe Sasha, tirou D`Alessandro para colocar o ex-salvador Andrezinho e ainda tirou Tinga para colocar a promessa Marquinhos. Tudo inútil.
Não que o novo trio seja formado de maus jogadores, é que é complicado deixar a solução de um jogo difícil para os jovens, mesmo que Marquinhos seja o mais equipado substituto para Taison e Sóbis.
O Goiás poderia ter vencido o jogo, mas parece estar com a síndrome do time que vai para a segundona: tendo recebido várias ligações de Jesus, ficou nervoso e não conseguiu aproveitar o que criou.
INTERNACIONAL (0): Renan; Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Wilson Matias, Guiñazu, Tinga (Marquinhos), D¿Alessandro (Andrezinho) e Giuliano (Eduardo Sasha); Leandro Damião. Técnico: Celso Roth.
GOIÁS (0): Harlei; Valmir Lucas, Ernando e Marcão (Wellington Saci); Wendel Santos, Wellington Monteiro, Romerito (Amaral), Bernardo (Éverton Santos) e Júnior; Rafael Moura e Felipe. Técnico: Jorginho.
Cartões amarelos
Internacional: Kleber, Guiñazu (3º) e Andrezinho
Goiás: Ernando, Romerito e Rafael Moura
Árbitro
Paulo César Oliveira (SP)
Local
Estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)